"Isso mudará o curso das doenças pediátricas, pois liberará os hospitais de tantos casos graves", disse Fernando Polack, diretor científico da Infant Foundation, à Télam.
A primeira vacina materna contra a bronquiolite obteve uma proteção de mais de 80% nos testes clínicos, o que significa uma "revolução" na medicina pediátrica para combater essa infecção respiratória aguda, uma das principais causas de morte de crianças com menos de um ano de idade, explicaram especialistas na quarta-feira.
A Pfizer, sediada nos EUA, informou que a conclusão do estudo clínico de Fase III mostrou que a vacina alcançou 81,8% de proteção contra a infecção por RSV nos primeiros 90 dias de vida e manteve 69,4% de eficácia até os seis meses.
"Essa vacina prevê uma revolução no sistema de saúde. Os resultados são tremendamente conclusivos, da última vez se pensou em alcançar 40% de proteção e não foi alcançado, e agora foi muito superado. Ela vai mudar o curso da doença pediátrica, porque vai livrar os hospitais de tantos casos graves", disse Fernando Polack, diretor científico da Infant Foundation, à Télam.
Sobre bronquiolite
A bronquiolite é uma infecção respiratória aguda que ocorre mais comumente nos meses de outono e inverno, afetando principalmente crianças com menos de 1 ano de idade. Ela pode ser causada por diferentes vírus, sendo o mais comum o vírus sincicial respiratório (VSR).
Dados do Ministério da Saúde
De acordo com o último Boletim Epidemiológico Nacional do Ministério da Saúde, 173.723 casos de bronquiolite foram registrados em 2022, com uma taxa de incidência cumulativa de 11.861,8 casos/100.000 habitantes.
Na Argentina, a cada ano, o VSR causa cerca de 20.000 hospitalizações e 600 mortes evitáveis em crianças com menos de um ano de idade.
"A vacina seria uma mudança de paradigma, pois evitaria que 80% dos casos graves fossem hospitalizados", explicou Polack.
Alvo da vacina contra bronquiolite
Esse tipo de vacina é administrado em mulheres grávidas, assim como a vacina contra a gripe ou a coqueluche é administrada atualmente, para que a criança nasça pronta para enfrentar essas doenças graças aos anticorpos fornecidos pela mãe.
"É uma vacina projetada para ser administrada à mãe, que teve contato com o vírus várias vezes durante sua vida, para que ela passe os anticorpos para o bebê através da placenta. O bebê, com seus anticorpos, fica protegido até os seis meses de idade", explicou Romina Libster, pediatra, pesquisadora e especialista em vacinas, à Télam.
"O período mais vulnerável é o primeiro ano e, principalmente, os primeiros seis meses, portanto, o que estamos buscando é que, ao nascer, o bebê já esteja protegido", acrescentou.
Estudos clínicos
O estudo de ensaio clínico envolveu 7.400 mulheres grávidas com menos de 49 anos de idade de 18 países a partir de junho de 2020. A partir do final do segundo trimestre de gravidez, metade das mães recebeu aleatoriamente uma dose da vacina e a outra metade recebeu uma versão placebo.
Na Argentina, 942 mulheres participaram do estudo no Hospital Militar de Buenos Aires, Osecac e centros de saúde nas províncias de Salta e Tucumán.
As mães foram acompanhadas até seis meses após o nascimento e os bebês até um ano de idade. Um subgrupo de meninos será acompanhado por dois anos.
Com os resultados positivos do Estudo de Imunização Materna para Segurança e Eficácia (Matisse), a Pfizer prevê o envio dos dados para publicação em uma revista científica. Espera-se que a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, a European Medicines Agency (EMA) e a Anmat da Argentina, entre outros órgãos reguladores, aprovem esse procedimento nos próximos meses.
Se aprovada, será a primeira vacina materna do mundo contra o vírus da bronquiolite em bebês.
"Isso vai mudar a saúde pública de forma radical. Ele protege 80% das doenças graves nos primeiros três meses de vida, o impacto é enorme", disse Libster.
"Essa vacina tem um impacto não apenas no salvamento de vidas, mas também na realidade de milhões de famílias", concluiu.
Nota da Télam
Link para o artigo completo: