"É meio milagroso", enfatizou o diretor da Infant Foundation sobre sua eficácia.
Depois que os Estados Unidos, o México e outros países autorizaram o uso da vacina Pfizer-BioNTech, o infectologista Fernando Polack disse que, na Argentina, a vacina "teve uma eficácia de 97%" nos testes clínicos.
Falando no programa"Cada Mañana", de Marcelo Longobardi, na Rádio Mitre, o diretor da Fundação Infant, onde os estudos clínicos foram realizados, disse que a vacina é até"meio milagrosa"devido à eficácia que demonstrou.
Polack falou com o jornalista sobre um artigo publicado na semana passada em uma revista de saúde sobre a vacina da Pfizer, que "é o relatório dos 44.000 voluntários que participaram do estudo, incluindo os cerca de 5.700 argentinos".
"Havia 128 locais no mundo. Nós éramos um local que atraía muitos voluntários. Fomos o que trouxe o maior número de pacientes e detectou o maior número de casos de Covid-19. Um estudo só é tão grande quanto o número de casos que detecta. E na Argentina a vacina foi 97% eficaz. Houve apenas um paciente entre todos os vacinados, o que significa que funcionou fenomenalmente bem", disse o infectologista.
No entanto, ele esclareceu que a Fundação está "totalmente fora" dos processos regulatórios para a vacina. "Nossa tarefa é levar a oportunidade da vacina ao governo em termos de realização do teste", explicou Polack.
Quanto à possibilidade de esse ser o início do fim da doença, ele disse que é provável, mas isso "não significa que seja o fim da pandemia hoje".
"Imagine o cenário se esse estudo tivesse falhado. Estaríamos nas mãos do vírus, como estávamos no início, e agora há essa oportunidade muito clara que, de alguma forma, pode se multiplicar infinitamente", disse ele.
De acordo com o especialista, se na CABA "você vacinasse as 700.000 pessoas maiores de idade e pudesse eliminar o risco de as pessoas morrerem por causa do coronavírus, você ficaria com pessoas acamadas e a doença seria diferente".
Dessa forma, disse ele, "você cria um arsenal de tratamento, pequenas bolsas de plasma para aqueles que desenvolvem a doença, e essencialmente cria um guarda-chuva onde a pandemia começa a perder força".
Quanto à conservação da vacina, ele confirmou que a vacina da Pfizer "precisa ser mantida em uma temperatura muito baixa", que hoje é de "70 graus abaixo de zero". No entanto, ele explicou que isso não é um problema. "Quando você diz isso e não está nesse ambiente, você pensa: 'É impossível', não é? Mas todos os freezers de pesquisa estão a 70 graus negativos. Não é algo que não exista. Portanto, há muitos recursos onde você pode ancorá-los para uso nas grandes cidades do mundo."
"É verdade que, com a vacina da Pfizer, não será possível vacinar facilmente em uma parte remota de uma província, mas esse não é o objetivo dessa vacina atualmente", esclareceu.
"Quando você entra em um avião, o que você quer é que haja especialistas em mecânica e operação de todo o avião, que os tenham verificado. A questão das vacinas é que deve haver especialistas que saibam muito bem o que está dentro da vacina, que tenham verificado todo o processo para que você possa ficar à vontade", disse ele.
"Tivemos duas visitas da ANMAT com duração de 11 dias cada. Quatro especialistas da ANMAT vieram e passaram todos esses dias verificando tudo o que fazemos, de cima a baixo. Isso não apenas me deixa orgulhoso, mas também me dá tranquilidade, pois sei que em outros processos eles fazem o mesmo que fizeram conosco", continuou.
Ele continuou dizendo que a vacina da Pfizer "é meio que um milagre". "Quando esperamos pelos resultados, eu não esperava nem de longe o que aconteceu. Acho que a Moderna terá a mesma eficácia porque é muito semelhante, é como uma irmã gêmea. E a AstraZeneca, embora tenha menos eficácia do que essas, é uma boa vacina, com 60%. Uma vacina de 40% é uma boa vacina", relatou o infectologista.
Artigo do Clarín
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